Muro da vergonha - 20 anos depois do fim
Passaram vinte anos.
Berlim deixara de ser uma cidade cinzenta e despertava para a incerteza do dia seguinte. Nada mais seria como dantes.
Em 1945, no fim da segunda guerra mundial, o que restava da Alemanha de Hitler foi dividido em duas Alemanhas. A democrática,(?) e a outra. A RDA e a RFA.
A capital, Berlim, ficou dentro da RDA e passou então a ser controlada pelas quatro potências vencedoras da guerra: Grã Bretanha, França, Estados Unidos e União Soviética. Três anos mais tarde, os soviéticos viriam a desligar-se desta aliança
Num dia de Agosto de 1961, alguém do governo soviético de Berlim, acordou mal disposto e começou a construir um muro para dividir a cidade,.
Desculparam-se dizendo que era necessário impedir a invasão de espiões na RDA, mas na verdade apenas pretendiam evitar a fuga maciça de alemães orientais para a Alemanha Ocidental. Em três anos haviam fugido da ditadura soviética para ocidente, três milhões de pessoas, logo havia que pôr fim a tal êxodo.
Um cordão de vinte e cinco mil soldados, fortemente armados e separados cinco metros entre si, impedia a passagem dum lado para o outro da cidade, até à conclusão do muro. Quem se encontrava do lado oriental lá ficou e de igual modo aconteceu do lado ocidental. Pais dum lado filhos do outro, maridos de cá, esposas de lá. E quem junto não estava, separado ficou.
Cento e quinze quilómetros de betão e arame farpado ficaram a dividir a cidade, durante vinte e oito anos, sem que os seus habitantes tivessem hipóteses de escolher de que lado queriam ficar. Milhares de tentativas de fuga foram metralhadas e outras tantas conseguidas.
Que pena não se juntarem os homens e retirarem de cada um o quanto de bom existe nas suas mentes. Uns puxam para a esquerda, outros para a direita e outros ainda, empurrados por ambos os lados, não conseguem tombar para lado nenhum.
Entretanto, por esse mundo fora outros muros envergonham a mesquinhez dos homens.







































