24 de Dezembro de 2009
19 de Dezembro de 2009
Conto de Natal
Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los.
Passava os dias no laboratório em busca de resposta para as suas dúvidas.
Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar.
Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse distrair-lhe a atenção. Até que se deparou com o mapa do mundo. Com o auxilio de uma tesoura recortou-o em vários pedaços e, juntamente com um rolo de fita adesiva, entregou-o ao filho.
- Vou te dar o mundo para consertar. Vê se consegues. Faz tudo sozinho.
Pensou que assim se estava livrando do garoto, pois ele não conhecia a geografia do planeta e certamente levaria dias para montar o quebra-cabeças.
Uma hora depois, porém, ouviu o filho.
- Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!
Para surpresa do pai o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como é que o menino tinha sido capaz?
- Tu não sabias como era o mundo, como é que conseguiste, meu filho?
- Pai, eu não sabia como era o mundo mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem. Virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e descobri que havia consertado o mundo.
Às vezes - sonho que o mundo podia ser consertado com pequenas coisas!
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16 de Dezembro de 2009
A evocação de Sophia
Sophia de Mello Breyner Andresen é o tema do último livro de Alberto Vaz da Silva.A apresentação do livro foi feita hoje no Centro Nacional de Cultura e mais uma vez tive oportunidade de lá estar para dar um abraço ao meu grande amigo Alberto que me presenteou com o respectivo livro e dedicatória especial.
Guilherme Oliveira Martins, Maria Velho da Costa, José Tolentino Mendonça, Maria Cavaco Silva, Maria João Avilez, Pedro Tamen, Francisco Gentil Martins, Laurinda Alves, Francisco Sarsfield Cabral e a filha da poetisa, Maria Sousa Tavares, foram os literatos colunáveis que me foi dado descobrir entre os presentes.
Alberto estava feliz. Não porque tenha escrito um best-seller ou espere amealhar pecúlio significativo, mas sim porque fez exactamente o que pretendia e sentia ser preciso - evocar a amiga Sophia.
Está evocada!
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13 de Dezembro de 2009
Monumento a Júlio Amaro
Fez-se justiça a um dos mais ilustres filhos adoptivos portimonenses, já que ali não nasceu, mas lá viveu trinta e cinco anos.
Dele ficou um vasto leque de obras de arte e foi em boa hora que a CMP erigiu um monumento onde os motivos nele inscritos são da autoria do imortal pintor, incluindo um auto-retrato.
A presença de elevadas personalidades dos mais diversos quadrantes deram o mote à significativa homenagem.
Os nomes, à excepção do deputado Mendes Bota, não os conheço nem decorei já que ali não estive em reportagem profissional mas sim em representação de todos os amigos do Amaro, que com ele conviveram durante alguns anos, enquanto este viveu na Amadora.
Sei agora que sempre que passar por Portimão, o meu olhar desviar-se-á para uma visita ao meu futuro ex-libris desta cidade.
Gostei de ver-te Amaro! Muito! Muitíssimo!
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11 de Dezembro de 2009
Parabéns - Dolce Laura
Oh miúda! Tás gira! Tás tás!
Se escrevesse o que me apetecia dizer sobre ti, corria o risco de fazer chorar as pedras da calçada. Como hoje é dia de festa não vale a pena entrar por caminhos sinuosos, antes por largas avenidas onde beligerantes poemas não brotam.
Meio século de solidão não chegou para que fosse cumprido o posfácio da tua existência. Outro meio século esta na forja. Aproveita-o com as descobertas que vão surgindo saídas duma neblina que parecia eterna mas não real.
O mundo é já ali ao lado e os amigos, quando verdadeiros, porque senão não o seriam, às vezes só não ajudam porque também eles precisam do abraço protector dum qualquer querubim.
Chamei-te Dolce porque já basta o acre do teu outro mundo, agora por novos mares navegado.
A Barca Bela levar-te-á a porto seguro.
Ressuscitaste miúda. Aleluia!
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10 de Dezembro de 2009
Parabéns Bicho
Às vezes ... as palavras são as mesmas!
Falámos com rochedos, quando o mundo nos esquecia.
Saltámos barreiras, quando o fôlego o permitia.
Juntámos amigos, quando a saudade pedia.
Partilhámos segredos, em tempos remotos.
Amámos, quando nos deixaram.
Falaremos, quando nos entenderem.
Partiremos, quando nos não quiserem.
Parabéns Luís! Parabéns Gigi!
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7 de Dezembro de 2009
Ary dos Santos - O grande!
Faria hoje setenta e dois anos.
O que sei do Ary é apenas aquilo que toda a gente da minha idade e que não pertencia ao meio, sabe. Sei ainda que era um militante acérrimo de palavras que o vento levou e a poeira cobriu, envolta em névoas que a bruma continua a tapar.
Grande declamador, enorme poeta!
Alguém me disse recentemente que “a meia idade” é quando paramos de criticar os velhos e começamos a criticar os novos.
Provavelmente por isso, aqui está uma meia idade, a fazer a apologia duma outra meia idade, um pouco mais avançada.
Pois bem, Ary dos Santos foi enorme em TUDO o que fez na vida.
Li há poucos meses uma entrevista, julgo que com Carlos do Carmo, em que o entrevistado falava do Ary com uma profundidade que até então eu nunca ouvira.
Fiquei a saber que Ary era uma criança crescida, com medo de dizer ao mundo, coisas que o mundo sabia.
Tinha medo da solidão, do abandono, do fim. E quem não tem?
Ficou a ecoar nos meus sentidos, a força que imprimia em cada sílaba, em cada expressão, em cada gesto. Ary era a força das amarguras doutrem, dos candidatos a poeta, dos que gritam apenas falando.
Ary abriu-me o livro das mais belas palavras e trocadilhos nunca antes inventados.
Jose Carlos Ary dos Santos, poeta castrado, NÃO!
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5 de Dezembro de 2009
Dia Mundial do Voluntariado
Aos voluntários de todo o mundo!
Aos que se entregam sem nada receber e a todas as minhas amigas que disso fazem uma extensão do dia, a minha vénia por tal facto.
Quando o tempo é farto e a vontade existe, há sempre alguém que espera um pouco desse tempo e dessa vontade.
Quando no centro do peito se não tem uma pedra, sobram os afectos e se multiplicam os afagos, está encontrada aquela que, não resolvendo os males do mundo, o ajuda a melhorar.
Ser voluntário(a) é muito mais que uma palavra de carinho no cume das incertezas.
No Dia Mundial do Voluntariado vai o meu pensamento para esse(a)s anónimos dos dias negros da vida.
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2 de Dezembro de 2009
Júlio Machado Vaz - o lado invisível do sexo
Acabamos sempre por criar empatia por determinadas pessoas com quem nunca falámos. Ou porque o seu aspecto nos agrada, ou porque os seus sorrisos contagiam, ou ainda porque dizem coisas sérias a brincar.
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1 de Dezembro de 2009
Mulher lúcida!
Visão muito lúcida e inteligente duma mulher.
Um palerma qualquer, após vinte e cinco anos de casado, teve o desaforo de ter este desabafo com sua mulher.
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29 de Novembro de 2009
André Moa - sete décadas depois
André Moa nasceu em Tabuaço, concelho românico e romântico do Douro Vinhateiro, Património Mundial.
Licenciado em Direito, foi magistrado do Ministério Público, advogado, professor, autarca, técnico superior e dirigente da Segurança Social. É agora escritor, poeta e ... paciente.
Foi assim que recebi este legado humano de humilde sabedoria.
André Moa é o pseudónimo de José Guilherme Macedo Fernandes. Nasceu a 29 de Novembro de 1939.
Hoje, Moa seria sempre notícia, pois completa setenta anos de vida. Mas, Moa será sempre um símbolo de coragem e tenacidade, pela luta que tem travado com o maldito caranguejo que teima em tolhê-lo com suas fortes tenazes.
Homem extraordinário de simplicidade suprema, esgota a tristeza de quem dele se acerca. Frágil e franzino não denuncia a força que dele emana.
Mas … dele não importa falar, antes conhecer.
Meu querido Moa, como eu lamento ter chegado tão tarde a ti!
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28 de Novembro de 2009
27 de Novembro de 2009
Parabéns filhote
O meu filhote “caçula” faz hoje 16 anos!
Às vezes – tenho dúvidas sobre as suas certezas. Outras, certezas sobre as suas dúvidas.
Óptimo aluno e alegre contagiante, nele me revejo, num espelho por vezes embaciado pela descoberta da adolescência e de convicções quase sempre perenes.
Nos defeitos, herdou de mim a teimosia e outros que não ouso enxergar. Nas virtudes, eu não sei, já que um pai não se contenta com a mediocridade que felizmente ele não ostenta.
Às vezes – não queria ser pai e sim irmão!
Às vezes - imirjo em seus receios e contemplo-o embevecido em desejos impossíveis.
Parabéns meu filho! Parabéns Luís!
À Sara Guerreiro, minha amiga de longa data e que muitas vezes embalou o Luís e lhe mudou a fralda, aqui deixo também um beijinho de parabéns e feliz aniversário
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25 de Novembro de 2009
Carta para Saramago
Testemunho directo de quem se cruzou com Saramago.
Gente do teatro, do cinema, da música, das artes plásticas, do jornalismo, das letras, ali convivia com serenidade e gosto. A escritora Isabel da Nóbrega começou a ser habitual e depressa se tornou uma amiga dos donos do atelier. Senhora de bom berço e fino trato, inteligente e culta, bem instalada na vida, caíu numa cilada do demónio. Apaixonou-se por um zé-ninguém, nem sequer bonito, muito menos simpático e bem-educado, que olhava tudo e todos de nariz empinado, numa pseudo-superioridade de quem tem contas a ajustar com a vida, quezilento e muito chato. Falava como um pregador de feira e era intragável. Mas, em atenção à Isabel, lá íamos aturando o José Saramago.Para mim, que sou péssima, foi ponto assente: aquele não a ia fazer limpa, era um depósito de ódio recalcado. Foi por isso que não me admirei nada quando o vi director do Diário de Notícias, a mando do Partido Comunista, onde, da noite para o dia, lançou ao desemprego 24 jornalistas, dos da velha escola, dos que escrevem com pontos e vírgulas, deixando-os, e às famílias, sem pão. Tambem não fiquei minimamente surpreendida quando soube que abandonou Isabel da Nóbrega, que tanto fez por ele, para alvoroçadamente casar com uma espanhola que foi freira e tem vastos conhecimentos no mundo da política e das letras. Para mim, estava tudo a condizer com a figura.
Nem o Nobel que lhe deram me impressionou, porque já vi o Nobel ser dado sem critério algumas vezes. Acho mesmo que o prémio está a ficar muito por baixo.E agora, o homenzinho da Golegã a chamar nomes a Deus, a insultar a Bíblia nuns raciocínios primários de operário em roda de tasca. Dizem que o fez por golpe publicitário. Talvez. Acho que é capaz disso e de muito mais. No entanto, creio que, no meio do aranzel, apenas houve uma pessoa que lhe fez o diagnóstico certo:
António Lobo Antunes, numa magistral entrevista dada à RTP, há dias, respondeu a Judite de Sousa, que o interrogava sobre as tiradas de Saramago, que essas vociferações contra Deus lhe tinham feito medo. E adiantou: "tenho medo de chegar à idade dele assim, sem senso crítico".
Está tudo dito. É mais um como há tantos anciãos de tino perdido em Portugal. É deixá-lo andar. A mim tanto se me dá.
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23 de Novembro de 2009
Benfica e o Menino Jesus
Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe.
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21 de Novembro de 2009
Justiça em Portugal
... Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?
Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
No caso McCann, cujos desenvolvimento vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida na Figueira? O que lhe aconteceu?
E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?
E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.
Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.
Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
Este é o maior fracasso da democracia portuguesa!
Clara Ferreira Alves in "Expresso"
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19 de Novembro de 2009
Júlio César e Francisco Luís
Já não eram mais duas crianças mas os sonhos lá pairavam.
Os tempos eram os do desejo e da descoberta. Vivia-se com aquilo que se tinha e não com o que se desejava. Os passos eram mais ou menos calculados e cadenciados e neles morava a crença que o amanhã poderia ser uma certeza. E foi!
Não viraram a ocidente nem a oriente porque já estavam no caminho que os haveria de levar à glória dos seus desejos.
E aconteceu que estes dois amigos se juntaram um dia e formaram uma dupla artística,
Júlio César e Francisco Luís, assim se chamavam.
Não durou muito este duo, já que cada um quis seguir o seu caminho em direcções opostas.
Depois, ambos desafiaram os seus sonhos e ambos os venceram. O primeiro, na crista das ondas. O segundo, nas vagas alterosas dum mundo melhor.
No seu precocemente extinto blogue, Júlio César escreveu um dia:
O meu primeiro contrato como profissional de palco foi com o Casino Peninsular da Figueira da Foz. A dupla Francisco Luís e Júlio César, contava "estórias" de humor, anedotas, imitações, poemas e só não cantava porque não havia música. Fizemos sucesso! Ali, na Figueira, contratados pelo velho Mendes Pinto e num rigoroso exclusivo da Interartes de Carlos Pires, ganhámos o primeiro "cachet". 300 escudos, p'rós dois! Ou seja, ao câmbio de hoje... 1.50 euro. A foto, tirada à-la-minute na marginal, passou a ser cartaz. Cavalgámos muitos mais espectáculos, perseguindo o sonho de uma carreira que acabou por acontecer. O Xico seguiu outros caminhos e todos os anos, num almoço de velhos amigos, recordamos isso. Em Janeiro a DUPLA reencontra-se.Já naquela altura eu tinha a mania de tirar fotos aos meus amigos
Eram assim este putos da minha idade, há muitos anos atrás.
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17 de Novembro de 2009
Parabéns Osvaldo
Diz o livro do Significado dos Nomes que:
Osvaldo: Significa o que tem o poder dos deuses e indica uma pessoa que não se abala com nada. Por isso, pode ser considerado frio e calculista. Mas no fundo ele está sempre disposto a dividir tudo o que conquista.
Um coração do tamanho do mundo completa a estirpe de que é feito.
E como atrás dum grande homem há uma mulher maior ainda, Ana assim se chama, aqui fica a minha vénia perante tal constatação.
Tabuacense de nascença, tem dividido a sua vida entre o Brasil, onde viveu três décadas e a Suiça, onde vive há uns anos. O Ministério da Cultura é a zona onde se movem as suas obrigações.
Os tempos vindouros farão jus a outras tantas afirmações.
Osvaldo não é Mau, Triste e Feio!
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15 de Novembro de 2009
Alain Delon - um dos meus ídolos

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13 de Novembro de 2009
Inimigos!
Será que esta "estória" nos pode servir de modelo.?
A maioria levantou a mão. O sacerdote voltou a repetir a mesma pergunta e então todos levantaram a mão, à excepção duma pequena e frágil velhinha.
-Quantos anos tem a senhora? - pergunta o sacerdote.
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11 de Novembro de 2009
Cristovam Buarque - discurso censurado
Dum amigo franciscano recebi esta sábia resposta, a qual aprovo na integra
Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
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8 de Novembro de 2009
Muro da vergonha - 20 anos depois do fim
Passaram vinte anos.
Berlim deixara de ser uma cidade cinzenta e despertava para a incerteza do dia seguinte. Nada mais seria como dantes.
Em 1945, no fim da segunda guerra mundial, o que restava da Alemanha de Hitler foi dividido em duas Alemanhas. A democrática,(?) e a outra. A RDA e a RFA.
A capital, Berlim, ficou dentro da RDA e passou então a ser controlada pelas quatro potências vencedoras da guerra: Grã Bretanha, França, Estados Unidos e União Soviética. Três anos mais tarde, os soviéticos viriam a desligar-se desta aliança
Num dia de Agosto de 1961, alguém do governo soviético de Berlim, acordou mal disposto e começou a construir um muro para dividir a cidade,.
Desculparam-se dizendo que era necessário impedir a invasão de espiões na RDA, mas na verdade apenas pretendiam evitar a fuga maciça de alemães orientais para a Alemanha Ocidental. Em três anos haviam fugido da ditadura soviética para ocidente, três milhões de pessoas, logo havia que pôr fim a tal êxodo.
Um cordão de vinte e cinco mil soldados, fortemente armados e separados cinco metros entre si, impedia a passagem dum lado para o outro da cidade, até à conclusão do muro. Quem se encontrava do lado oriental lá ficou e de igual modo aconteceu do lado ocidental. Pais dum lado filhos do outro, maridos de cá, esposas de lá. E quem junto não estava, separado ficou.
Cento e quinze quilómetros de betão e arame farpado ficaram a dividir a cidade, durante vinte e oito anos, sem que os seus habitantes tivessem hipóteses de escolher de que lado queriam ficar. Milhares de tentativas de fuga foram metralhadas e outras tantas conseguidas.
Que pena não se juntarem os homens e retirarem de cada um o quanto de bom existe nas suas mentes. Uns puxam para a esquerda, outros para a direita e outros ainda, empurrados por ambos os lados, não conseguem tombar para lado nenhum.
Entretanto, por esse mundo fora outros muros envergonham a mesquinhez dos homens.
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4 de Novembro de 2009
Drauzio Varella - sensato
Drauzio Varella (médico brasileiro) Prémio Nobel da Literatura, (cristão) disse:
- Actualmente no mundo, investe-se cinco vezes mais em medicamentos para a virilidade masculina e silicone para as mulheres, do que na cura de Alzheimer.
Daqui a alguns anos, teremos velhas de tetas grandes e velhos de pénis duro, mas nenhum deles se lembrará para que servem.
Quem diria?
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1 de Novembro de 2009
José Saramago - Cai(m)
Nunca me apeteceu descobrir Saramago.
Fi-lo agora, já que nunca é tarde para recuperar o tempo perdido.
Sabia da sua erudição mas o estigma do despedimento dos vinte e quatro jornalistas, que não eram da sua cor, no Diário de Noticias, nunca deixou de pairar na minha memória. É frio, distante, taciturno e às vezes até parece uma alma penada, daquele mundo em que não acredita. Arrasta consigo os dias de glória trazidos pela Terra do Pecado, nas Jangadas dos Conventos, nos Ensaios dos Elefantes, na Cegueira dos Evangelhos.
José Saramago, cada vez mais perto da eternidade, terá julgado que o seu nobelizado estatuto lhe permite todas as alarvidades.
Pode não haver Deus, pode não acreditar nele, pode dizer tudo o que pensa e pode escrever tudo o que quiser. Felizmente que estamos em democracia, onde cada um é livre de dizer o que pensa. Pois bem, mas podia também amenizar a arrogância com que projecta cada palavra.
Saramago, num tempo próximo, até poderá vir a ser considerado precursor da verdade anti-Deus, pelo safanão que deu nas mentes mais retrógradas, qual Lutero do século XXI, mas terá ultrapassado todas as marcas do socialmente correcto.
Poderá não acreditar em Deus, o que eu aceito e respeito, mas daí a mandar Deus à merda e dizer que Deus é um filho da puta vai uma distância incomensuravelmente maior que de Lisboa a Lanzarote. Se Deus não existe não terá mãe, certamente.
Uma salomónica sentença poderia dividir Saramago em dois. Dum lado ficaria a irritante figura humana. Do outro, o iluminado escriba.
O homem confunde-me. Quem serei eu ao lado de tão letrada figura, mas escrever os substantivos, mafra, versalhes, buckingham, abel, caim e tantos outros, umas vezes com letra minúscula, sem qualquer tipo de critério, e outras com letra maiúscula, não é de facto uma inovação literária nem faz parte do novo acordo ortográfico. Pode até ser um falso neologismo, mas é seguramente uma prova de que o seu estatuto tudo lhe permite.
Saramago conseguiu deslumbrar-me com a sua escrita e ao mesmo tempo conseguiu também a minha indiferença. O Velho Testamento nunca antes tinha sido tão glosado.
Saramago, de quem não se esperam cacografismos, escreve: Caim parou de ensilhar o jumento, (página 98) quando deveria escrever - Caim parou de encilhar o jumento. Ou o livro foi escrito a correr, porque proveitos eram precisos, ou cada vez tenho mais a noção de que nada sei, o que também é altamente verídico.
Até concordo com alguns ditames do escritor no que concerne à existência de Deus, nomeadamente o da violência com que Esse Deus castiga os seus servos, sejam eles inocentes ou culpados, o que me francamente me fustiga é a forma como ele O bane.
Efectivamente há passagens da bíblia profundamente controversas e essa é uma miragem que pairará sempre no caminho de todos os que acharem não serem senhores da verdade absoluta. A começar por mim!
Como eu talvez também estarei um dia, Saramago, aliás saramago, está gágá!
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28 de Outubro de 2009
Florindo e Flora Beja - os mortos vivos
Quem passar pela Procuradoria Geral da República verá que junto à porta principal está instalado um casal, com armas e bagagens.
Pois bem, há 13 anos que este casal ali se planta todos os dias do ano, quer faça sol, chuva, frio, neve ou tempestade.
Florindo Beja precisou um dia de arranjar um documento e descobriu que estava morto e sepultado no Cemitério de Aljustrel desde 1964, através de documentos falsificados pelos seus irmãos. Um é Juiz Desembargador do Tribunal de Lisboa e outro é Notário, também em Lisboa. Pelo meio haveriam ainda de casar a viúva com outro homem e depois também a “mataram” e “sepultaram” em parte incerta.Entretanto fizeram desaparecer uma filha que nunca saiu do mesmo sítio. Surreal!
Contou-me o Florindo que os irmãos se apropriaram dos seus bens, depois de terem falsificado uma montanha de documentos apensos a um ciclópico dossier. Vários destes documentos estão expostos num cartaz para que os passantes possam ler. De facto, eu vi a certidão de casamento com óbito averbado, como aliás todos os documentos comprometedores ali estão expostos para quem os queira ver e ler.
Manda o bom senso que não se deve tomar partido de quem quer que seja sem se conhecer a versão dos factos da parte contrária. Ora, como tal não foi possível, apenas me limito a relatar o que ali estão a fazer aquelas duas almas.O que os ora visados pretendem, é que sejam considerados vivos e simultaneamente lhes sejam devolvidos os bens usurpados, mas …
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25 de Outubro de 2009
Vícios novos!
Net é net, cognac é cognac!.
Isto vem a propósito duma dor que venho sentindo no ombro direito e para a qual não encontro explicação.
Acho que exagerei no longo tempo que demorei na montagem dum daqueles filmezitos que tenho a mania de ir fazendo, porquanto não me lembro de mais nada que pudesse provocar-me tal tendinite. Certamente que haverá outras actividades mais interessantes do que fazer filmes, mas já nem lembro quais.
Mas, aqui me irei mantendo fiel à troca de ideias tantas vezes divergentes, não esquecendo o quão de salutar nelas reside.
E ... às vezes – brincar é preciso!
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22 de Outubro de 2009
Os livros da Instrução Primária
Longe vão os tempos em que estes livros foram o princípio de alguma coisa.
Longe de mim imaginar, naquela altura, o fascínio que eles viriam a exercer sobre muitos de nós.
Longe, muito longe, está ali a junção das primeiras palavras, o silabar da hesitação, o tremelicar de desconchavados rabiscos e a alegria dos primeiros “BOM”.
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19 de Outubro de 2009
Raul Solnado - Octogenário
Era mais fácil para ele aparecer para uma almoçarada do que fazer a vénia a todos quantos o felicitassem por uma coisa que ele não queria. Afinal foi sempre um menino.
Pois então faz hoje oitenta anos que nasceu Raul Solnado. Se fosse vivo não faria anos já que isso é coisa de quem leva a vida a brincar.
Então, a assim ser, basta-me aqui recordá-lo e guardar para mim o afecto com que me brindou e agradecer ao Júlio César, o facto de um dia o ter cruzado no meu caminho.
Persigno-me a tal encruzilhada, de tão douta que foi.
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18 de Outubro de 2009
Justiça rápida ... e sem custos!
Quelqu'un m'a dit
Exigências de sequestrador para libertar um refém, na China.
- Tenho três exigências, ou mato o rapaz!
Negociadores chegam ao local pela janela do lado para cumprir as exigências.
Início das negociações
Negociador em posição
Negociações concluídas
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14 de Outubro de 2009
Heinrich Kieber - Robin Wood
Há dias vi um documentário num temático canal qualquer, acerca dos paraísos fiscais. E a juntar a tantas outras fraudes ocorridas nos últimos tempos, há também sempre alguém que sabe tirar os devidos proveitos dos erros dos outros.
Esse alguém é um ex-funcionário do Banco LGT, do Liechtenstein.
Por vingança, ou porque o dinheiro falou mais alto, roubou os ficheiros informáticos do Banco, nos quais constavam os nomes de todos os seus clientes. Sabendo que os paraísos fiscais abrigam fortunas fabulosas de origem duvidosa, foi muito fácil, a troco de seis milhões de euros, vender os referidos ficheiros.
Sabendo que uma boa parte dos depositantes do Banco LGT eram alemães, a Alemanha pagou ao denunciante esta enorme quantia e espera agora recuperar cem milhões de euros em fuga ao fisco. Belo negócio!
Vários outros países já negociaram com a Alemanha no sentido de comparticiparem no pagamento efectuado, esperando o retorno na denúncia dos infractores..
Haverá portugueses na lista?
Heinrich Kieber – o ex-funcionário, recebeu nova identidade e novo passaporte.
Presume-se que esteja agora a viver os seus dias azuis algures num paraíso … fiscal!
Foi o maior inquérito já instaurado, por fraude fiscal, na Alemanha.
Sem pretender defender os mega-infractores pergunto:
- Afinal o crime para uns compensa e para outros nem tanto?
Sim, porque roubar os ficheiros do banco também é crime, mas como outros valores mais altos se levantam, estás perdoado filho!
O mundo começa a ser cada vez mais pequeno e a malha vai apertando!
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12 de Outubro de 2009
Padre Saul Sousa
Morreu o Padre Saul Sousa!
A morte é apenas a última etapa das nossas vidas e para morrer apenas basta estar vivo.
A notícia não seria notícia, fruto do que atrás disse, se o Padre Saul fosse igual a tantos outros padres. Aparentemente, claro que era igual aos outros padres, apenas que este tinha mulher e filhos enquanto os outros têm governantas e sobrinhos.
O Padre Saul foi ordenado padre (da Igreja Católica) quando já era casado e já tinha três filhos.
Mais do que aqui me congratular com a decisão papal, evoco a grande figura da Igreja que foi este homem e cujo gene foi passado na integra para os filhos, sendo que um deles, o Jorge Sousa, é um grande amigo meu de há três décadas.
Hoje pelas 10 horas, na Igreja do Anjos em Lisboa, o Cardeal Patriarca de Lisboa, presidirá à missa de corpo presente e fará certamente a apologia deste grande homem, não pelo facto da sua condição muito “sui generis” mas pela sua bondade e entrega ao próximo.
Não houvesse a hipocrisia do celibato canónico e a Igreja seria bem mais coerente e castradora de tal embuste.
Ao meu querido amigo Jorge, toda a minha admiração pelo pai que teve, pelo filho que é!
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8 de Outubro de 2009
Que pena!
Ele era completamente narcisista, estilista e apanhava muito sol. ...
Uma manhã parou nu em frente ao espelho para admirar o seu corpo, e notou que estava todo bronzeado, à excepção de seu pénis.
Então decidiu fazer algo. Foi à praia, despiu-se completamente e cobriu-se todo de areia, menos aquilo...
A outra anciã, que também observava com curiosidade, perguntou-lhe a que se referia.
- Olha isso!!!
- Aos 20 anos, dava-me curiosidade!
- Aos 60, rezava por ele!
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5 de Outubro de 2009
Aerograma
Quem se lembra do aerograma?Mais pequeno que uma folha A4, escrevia-se e dobrava-se sobre si mesmo, fazendo que não fosse necessário envelope.
Era uma carta de saudade, de desabafos, de esperança, de despedida. Era uma carta de amor!
Foram milhões os aerogramas que os militares escreveram aos seus familiares, amigos, namoradas e esposas, essa finíssima folha que o Serviço Postal Militar se encarregava de transportar a preços muito reduzidos.
Para devorar os tempos mortos inventaram-se as “Madrinhas de Guerra” que viriam a ter importância fundamental no passar dos dias. Trocavam-se palavras de descoberta com alguém que nem se conhecia e dessas palavras saíram frases de amor que o coração exigia e a mente desejava. Muitas resultaram em matrimónio, outras em duradouras amizades e outras ainda, em remotas recordações que o tempo se encarregou de fazer esquecer.
Muitos aerogramas eu escrevi em reposta aos que me vinham chegando. Só não escrevia quem não queria. O custo era o preço dum sorriso e eu adoro sorrir.
O aerograma foi a grama que pesou quilos, toneladas, quintais, no despertar das consciências que a juventude abalou
Não fui militar no Ultramar, mas para lá estava virado o meu olhar sabendo que grande parte dos meus amigos para aí tinha rumado, empurrados pelo destino de quem foi obrigado a defender os velhos mundos dum mundo novo.
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1 de Outubro de 2009
Fernando Pessoa - Entendes-me?
Às vezes – dá-me para isto!
Pode o engenho e arte
No Chiado me descobrir
De mim lá ficou parte
Quem me fazia sorrir
Foram anos, foram tempos
Aqueles que não voltaram
Foram fortes, foram lentos
Aqueles que me marcaram
Por lá me quedei um dia
Quando na vida despertei
No despertar dessa vida
Outra vida eu inventei
Inventei fugas e dores
Partidas e chegadas
Amores e desamores
Estórias tão contadas
Corri mundo sem nada
De tudo me despojei
No nada eu aprendi
Do despojo já não sei
Dormi noites, dormi dias
Noites que eu não dormi
Dos dias que eram vias
Das vias que percorri
Perdi-me depois no tempo
Esqueci de quem eu era
Ao tempo eu dei alento
Ao alento dei a espera
E um dia regressei
Tão triste como parti
Ao mundo o olhar dei
À vida que já vivi
Pessoa, amigo que és
Quero-te a meu lado
Deixa chegar-te aos pés
Perdoa este meu fado
O poema é ridículo
E não é carta de amor
Se não fosse ridículo
Seria carta de dor
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30 de Setembro de 2009
Edir Macedo - o profeta (?)
Quantas pessoas humildes tiram comida da própria boca, para doar suas parcas moedas a este profeta moderno?
Quantos dízimos e bens foram oferecidos para construir este templo mundano de ostentação?
Afinal parece que todas as figuras de topo de qualquer credo, estão à altura de Edir Macedo.
Que mundo este, tão cheio de falsos profetas!
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28 de Setembro de 2009
O Blogador
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27 de Setembro de 2009
Eleições - à saúde!
Os políticos são aquilo que a gente sabe. Ou não podemos com eles ou nos juntamos a eles.
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25 de Setembro de 2009
Parabéns Verdinha!
Minha querida Verdinha, não tens o olhar dos belgas que me arrefecem. És o calor de quem te rodeia.
Com um coração assim, muitos aniversários te esperam ainda.
Uma rosa amarela, para uma flor Verdinha
Parabéns, je vois la vie en vert!
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23 de Setembro de 2009
Curiosidades - Ditados populares
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20 de Setembro de 2009
Tabuaço - sempre!
Foi uma jornada repleta de olhares por legados que a história deixou e pelo ego de cada um.
Foi a descoberta colectiva, plena de surpresas bem positivas que nem sempre acontecem
Foi uma espécie de reencontro de velhos amigos que o tempo não mudou.
Não foi o diário dum paciente, triste, mau e feio em que numa réstia de sol se vê a vida em verde.
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17 de Setembro de 2009
Campanha Eleitoral
Nesta altura de campanha eleitoral, nada melhor do que ver este video fora do comum, para descontrair.
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15 de Setembro de 2009
Lisboa à noite
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13 de Setembro de 2009
A minha (?) poltrona
A minha paixão por pedras é por demais sabida. E quando nelas não tropeço, tropeçam elas em mim.
E também adoro feiras, com conta, peso e medida. Nada de exageros, mas gosto. Sempre que me cheira que existe um feira por perto, lá estou eu. Há dias, na Feira de S. Mateus, em Viseu, descobri esta preciosidade. Qual peça única a clamar por mim, nela me sentei e ali fiquei uma hora, hesitando se a havia de comprar ou não.
O seu peso monetário era uma ínfima parte do bruto. Três mil e quinhentos quilos de rocha haviam sido esculpidos por mãos habilidosas e sensíveis, transformando o vazio dum calhau numa confortabilíssima poltrona.
Certamente estaria agora a escrever este artigo, nela sentado, onde talvez um dia um qualquer sarraceno versejou os seus amores ao coração duma moura encantada.
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Kim
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10 de Setembro de 2009
Edith Piaf - Espectáculo em Lisboa
Recentemente assisti ao espectáculo PIAF, em exibição no Politeama, em Lisboa.
Escusado será dizer que me vieram à memória milhentas recordações que o tempo não apaga nunca.
Descoberta numa paupérrima ruela de prostituição em Paris, Edith Piaf veio a tornar-se uma das mais excelsas vozes do panorama musical francês da segunda metade do século XX.
Este vídeo não espelha de forma nenhuma a garra com que ela costumava cantar. Do seu triste semblante chispava uma enorme força que o seu franzino corpo enganava
É claro que Piaf não é de século nenhum! É de todos os dias, de todos os anos, de todos os séculos. Há vozes que são eternas.
O seu drama e o seu apogeu chocam-se com o seu declínio, enquanto ser humano, numa amálgama de endeusamento e exploração, tão própria do meio em que se movia.
Piaf, eterna apaixonada por tudo quanto era homem, morreu aos quarenta e oito anos, quando a sua voz tremia e os querubins adormeciam.
A grande actriz, Wanda Stuart vestiu-lhe a pele na perfeição!
Fabulosa a Edith! Muito bom o espectáculo!
Estou certo que se fosse viva diria ainda:
- Non, je ne regrette rien!
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Kim
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8 de Setembro de 2009
Saint Maarten - o avião vai cair?
Não conheço nenhuma outra parte do mundo onde tal aconteça.
É incrível! A gente está na praia e sabe que dentro de pouco tempo um paquiderme do ar vai rasar as nossas cabeças.
Não fui eu que fiz esta filmagem (apesar de também a ter filmado) mas foi a isto que eu assisti e me atemorizou quando vi vir direito a mim um enorme avião que mais parecia não saber onde parar.
A pista começa exactamente no final da areia onde estamos deitados, apenas separados por uma pequena rua.
Este aeroporto fica situado em St Marten, pequena ilha das Caraíbas, sendo que metade da ilha é Holandesa e a outra metade Francesa. O aeroporto internacional Princesa Juliana fica na parte holandesa.
Descobri depois o seguinte:
Reza a lenda que os limites da ilha foram estabelecidos da seguinte forma: De ambos os lados um representante sairia caminhando, onde eles se encontrassem ali seria a linha divisória dos dois lados. Existe ainda uma anedota a respeito deste evento, de que o holandês saiu com uma garrafa de rum e o francês com uma de vinho, razão por que o lado francês é maior (o holandês ficou bêbado mais cedo e caminhou mais lentamente)
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5 de Setembro de 2009
Virgem Maria - morou aqui
muro onde se deixam pedidos quase sempre impossiveis
entrada da casa
Localizada no Monte Coressus, algures na Anatólia, fica a casa onde a Virgem Maria viveu alguns anos, pouco antes da sua morte.
Não está em causa a conotação religiosa que tal edifício possa ter com as mentes menos crédulas, mas apenas o conhecimento de algo que nunca me tinha passado pela cabeça vir um dia a descobrir.
Contou-me o guia que:
No século XVIII uma mulher alemã, cega de nascença, chamada Katherina Emmerich, que nunca saiu da sua terra durante toda a sua vida, descreveu a localização exacta desta casa, até então desconhecida, através das suas revelações num livro que publicou - A Vida de Maria, o qual foi lido por uns padres, cem anos mais tarde.
Após algumas averiguações foi reunida uma equipa de forma a revelar a extensão da verdade. A equipa procurou a casa na montanha durante um ano e finalmente quando já cansados bebiam água duma nascente viram a casa, o mar e as ilhas, tal como tinha sido descrito por Katherina.
Na primitiva, a casa era composta de duas pequenas divisões e uma cozinha. Actualmente é uma pequena capela. O mármore preto visível no chão mostra a localização do forno. O carvão encontrado nas escavações datava do século I.
Tudo era demais evidente. O resto … A visão …
Perante tal evidência apenas me limito a dá-la a conhecer!
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Kim
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3 de Setembro de 2009
Éfeso - o sonho continua
uma das largas avenidas e anfiteatro para 25.000 pessoas
Éfeso é uma cidade bíblica situada na Ásia, no antigo império persa, actualmente Turquia e ficou profundamente ligada ao cristianismo, pois ali pregaram os apóstolos Paulo e João. Nela habitavam, há dois mil anos, duzentas e cinquenta mil pessoas.
Ali encontrei uma curiosidade, que desconhecia. O emblema da famosa marca de artigos de desporto NIKE, foi inspirado num dos folhos das vestes da Deusa Nike (conforme assinalo a vermelho)
Mais do que dissertar a história, aqui ficam alguma fotos dum quentíssimo dia de verão.
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31 de Agosto de 2009
Miguel Torga - A descoberta
Sei que pode parecer sacrilégio mas ele perdoar-me-á, já que a sua crença divina era bem duvidosa.
Embalado pela paixão que uns nabantinos alcatruzes por ele nutrem, procurei-o quando a tarde já morria.
Tive curiosidade em descobri-lo e saber mais de si, sem ser aquilo que dele se diz.
Apetecia-me descobrir o homem! Começar por ali!
Na sua casa ninguém entra, advertiu-me um velhote. Apenas Ramalho Eanes e Jorge Sampaio lá terão entrado. A filha vive no Porto e não permite que a memória dele seja devassada.
A placa toponímica que identifica a rua onde vivia, apenas refere a data da sua morte, que está errada, pois aconteceu em 1995 e não em 1996, omitindo a do nascimento. O que também não é normal.
Fiquei a saber que Miguel Torga era uma pessoa muito difícil e chata, mas com um coração tão brilhante quanto a sua capacidade intelectual, pois enquanto médico, consultava gratuitamente todos os desprotegidos que dele precisassem.
Sabia que tinha sido seminarista, Adolfo Correia Rocha, médico, escritor e apaixonado pelo Douro e por Cervantes. Mais nada.
Estou perdoado?
Depois de ter cheirado o seu habitat, tentei encontrá-lo no cemitério, o que não consegui, apesar da pequenez do mesmo e da noite que já caía. É que, a entrada deste cemitério de S. Martinho da Anta é feita pela Igreja, com a qual faz paredes meias e está sempre aberto. Poderá parecer mórbida a minha tentativa, mas perdoa-se em nome da cultura.
Julgo mesmo que ele não terá querido que um qualquer desconhecido, ignorante da sua cátedra, o tenha tentado descobrir.
Muito bem! Farei bem melhor se começar a sua descoberta, queimando as pestanas nas páginas que, apesar de tudo, sei tão bem ter escrito.
Na despedida, sentei-me no banco fronteiro à casa, onde tantas vezes cavaqueou com o povo que era o seu e disse-lhe que alguém lhe gostaria de dar um abraço - a Maria dos Alcatruzes!
Ad eternum Miguel!
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27 de Agosto de 2009
Alma até Almeida
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